Depois de muito tempo de resistência, principalmente para dar um tipo de exemplo de que publicidade online resolveria sem recorrer ao offline, o gigante das buscas se viu obrigado a dar o braço a torcer para a importância da eficácia e alcance rápido das mídias de massa como a TV.
O Google é a empresa que apresentou ao mundo os leilões de anúncios, nos quais o mercado determina o preço do espaço e os anunciantes pagam pelos resultados. Certa vez, Schmidt chegou a chamar a publicidade na TV de “O último bastião de gastos descontrolados do mundo corporativo americano”. Dois anos depois, os vídeos do Google (a empresa não os chamam de anúncios) estão aparecendo com mais frequência em programas de TV como “The Big Bang Theory,” “Futurama” e “The Voice.”

Até agora, ao todo, o Google inseriu 13 anúncios diferentes na TV no último ano – talvez o mais memorável seja o emocionante “It Gets Better”, de Dan Savage, lançado durante o programa “Glee”, na Fox. Para promover o navegador Chrome foi veiculado um comercial com Lady Gaga durante o programa “Saturday Night Live” (na noite em que a cantora se apresentou no programa) e no Billboard Music Awards, da ABC. Com a mesma finalidade, o “Projeto Johnny Cash” foi ao ar durante a transmissão de futebol americano de segunda-feira à noite, no oitavo aniversário da morte do artista.
O Google está desenvolvendo um estilo próprio, baseado na ideia de que produtos devem ser postos à prova no mercado. É uma filosofia compartilhada pelos fundadores da empresa, Larry Page e Sergei Brin, conhecidos por sua aversão ao marketing. No tocante à abordagem de storytelling, o Google não é muito diferente da Apple. Narra a história de como uma grande tecnologia afetou a vida de alguém, seja um romance que começa no Google, seja a maneira pela qual o Google Docs auxiliou um casal a abrir um restaurante.
De acordo com fontes externas, o Google está aumentando drasticamente os investimentos em marketing. Até agosto, havia gasto US$ 103 milhões em comerciais de TV, anúncios impressos e publicidade na internet este ano, quase o dobro dos US$ 53 milhões investidos em todo o ano de 2010, de acordo com a Kantar Media.
O local em que o Google mais se sente à vontade para brincar é o YouTube, no qual os vídeos produzidos pelo Google Creative Lab se destacam em relação aos dos outros anunciantes. Nos últimos doze meses, os vídeos da empresa foram vistos 67,4 milhões de vezes, de acordo com a Visible Measures. Tais números fazem do Google a terceira marca mais assistida do site, atrás da Old Spice (89,7 milhões) e da Volksvagen (81,8 milhões).
O resumo é que a gigante da web percebeu que sempre fizemos publicidade nos canais tradicionais por que estes funcionam. Não são melhores nem piores que os novos canais online, mas devem ser sim combinados para gerar um plano de comunicação eficiente e completo. Só fazer TV é burrice, mas não fazer TV também é loucura, abrindo espaço para seus correntes. Os públicos estão em diferente canais e devemos utilizá-los da melhor forma possível.