Sobre o Android
May 30th, 2011 — Fred PachecoA plataforma móvel do Google – o sistema Android – é o assunto fascinante ao meu ver. Uma jogada linda com elementos inspiradores como ser open sources, colaborativa, sem pagamento de fees… Ainda traz uma trama bonita de traição, onde os meninos de Mountain Ville roubaram diversas idéias de seu guru de Cupertino (Steve Jobs).
Mas, qual é o real interesse do Google em investir tanto esforço no desenvolvimento de uma plataforma sem royalties? Bom, começa pela renda gerada pelo Android Marketplace onde o Google fica com um parte da receita sobre a venda de apps. Continua pelo fato de aumentando a base de celulares com Android, eles aumentam a base de usuários das ferramentas do Google que já vêm integradas ao sistema (como Google Maps, GMail, Buscador, Goggles, etc.). E de quebra ainda atrapalha o sistema de competidores como Apple e Microsoft.

Mas, a parte mais inteligente na minha opinião é que com o Android o Google ganha “controle sobre o tráfego” nos domínios de seus concorrentes. O pensamento é simples: ok, não consigo vencer o Facebook em redes sociais, mas já que a tendência é os usuários acessarem de dispositivos móveis, eu posso dominar aí…
Facebook tem mais de 40 milhões de usuário acessando por dispositivos móveis, apenas nos EUA. E se eles utilizarem apareclhos com Android – celulares ou tablets – o Google irá ter oportunidade de entregar publicidade, mapear o perfil de uso e etc. Isso é tão importante que o Twitter, por exemplo, acaba de comprar a Twittdeck – empresa que produz um cliente para acesso a esta plataforma – pelo valor de US$ 40 milhões, a fim de controlar também o acesso dos usuários.
Adicionalmente, um grande salto que o Google anunciou esta semana é o Android@Home: um projeto para integrar os devices domésticos como lavadoras de louça, lâmpadas, sistema de som e despertadores. Com os devices na mesma plataforma e conectados por wifi, o usuário pode controlar tudo pelo celular, mesmo longe de casa. Cool! Quero um…
Mas, pensando como o Google, imagine o controle que ele terá sobre meu comportamento ao saber quando estou em casa, quando estou ouvindo música ou vendo TV, que horas eu acordo… E tudo isso pode ser integrado em um sistema de behavior target para mostrar publicidade em um site do AdSense de acordo com o que estou vendo na TV naquele exato momento, por exemplo. Ou mandar um email oferecendo lâmpada em um e-commerce quando percebe que a minha queimou.
Big brother? Talvez… Mas, como publicitário gosto destas possibilidades. E como usuário também vejo valor em algo que me presta serviço e ainda faz a publicidade mais relevante.




